quinta-feira, 26 de novembro de 2009

LAPSO #01 - Parte III

Não precisava de confirmações. Sua mente se encontrava em uma eterna luta consigo mesma numa guerra entre os “se” (novamente) o porquê e o que será. Não há volta. O que resulta ainda mais em revolta. Em diante sua vida seria tomada por consequências. Uma ela já bem imaginava, pois em seus últimos dias tudo que ela conseguia reparar era em carrinhos de bebê, crianças no colo e tapete de losangos. Sua vida havia sido tomada. Não havia desejos, apenas vontade de sumir ou exterminar o tempo. Tudo isso para que nada existisse, nem mesmo ela que após nove meses poderia gerar uma nova vida que dividiria a dela em amor e desespero até que tudo passasse. E isto realmente passa. Só depende dá atenção e valor que dedica-se ao presente. Pois já havia passado 35 minutos durante todo este tempo. Para a jovem menina naquela sala, apenas 3 minutos parecia se estender em 3 horas, dias e semanas, pois suas reflexões sempre se repetiam.

A sala de espera perdera o sentido. Pois com tantas preocupações o que seria uma consulta de dentista? Para ela não havia nexo nenhum. Era apenas uma forma de me enganar e continuar na difícil imagem que anda tudo normalmente.

A porta se abriu. Saiu a mulher com seu filho que esbanjava um pirulito colorido em sua mão esquerda. A moça na mesa perguntou “Quem é o próximo?” O homem que agora cochilava com uma revista na mão acordou. Desta vez sem levantar, calmamente olhou para um lado viu a mãe saindo com seu filho. Olhou para o outro e viu a jovem, aguardando uma reação da mesma. A menina ergueu a cabeça, firmou os olhos e respondeu “Ele é o próximo.” O homem levantou ligeiramente sem entender mas entrou na sala acompanhado pela moça recepcionista. A porta se fecha. O som do ventilador parecia mais calmo e o clima mais fresco. Ela olhou para baixo, fixou-se nos losangos do tapete e então recomeçou: um, dois, três, quatro, cinco, seis...