sábado, 19 de setembro de 2009
Punhos fechados (por amor)
Era um anoitecer que parecia comum. Eu estava lá em um lugar; parecia ser qualquer, mas era o lugar que bem ficava com ela, onde eu me sentia assim. Onde uma história foi se construindo; e ainda está sendo escrita: eu e ela. Um pedido. Uma coisa que flui como essas palavras. Lábios que tocavam minha palma da mão. Um punho fechado com um beijo dela guardado. Foi essa a promessa. A mesma de um amor que já nos pertencia. Era preciso guardar e levar comigo, eu e o beijo dela. Ela ficaria para dormir até sonhar, e eu seguiria pelo meu caminho de sempre, porem com mão sobre o coração. Capaz de enfrentar, tudo, todos, sem abrir mão nenhuma e por nada, até chegar a meu destino. Missão definida que seria cumprida. Comprida até chegar o ponto de partida, enquanto estendia meus passos, desdobrava esquinas, trocava calçadas e atravessava ruas sob a observação da lua. Pois eu ainda havia de chegar bem, são, salvo, como todas as vezes mas dessa vez levando algo bem maior, que apesar de estar por trás de meus dedos fechados, era tão grande quanto o ar, que está em todo lado e cabe em qualquer lugar. Pouco faltava, e parecia que muito caminhava por tantos sentimentos que eu pensava. Foi um trajeto que poderia ser feito até o infinito, mas como todo fim alcancei a chegada. Subi as escadas e cruzei a porta de entrada. Minha mão direita se abriu. Sem força alguma, soltou o beijo dela junto ao seu amor que pairou sobre meu chão, meu corpo e meu canto. E comum como sempre é, esteve no ar. Mas agora mais do que nunca está aqui comigo, até hoje, pois eu ainda posso respirar.