sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Passando a limpo

Estou escrevendo vários textos ultimamente.
O papel acabou, portanto preciso repassá-los a diante.
Em breve aqui, novos textos, reflexões e lapsos e uma história para você seguir sempre que possível. Nem que seja no intervalo de sua novela.

sábado, 19 de setembro de 2009

Punhos fechados (por amor)

Era um anoitecer que parecia comum. Eu estava lá em um lugar; parecia ser qualquer, mas era o lugar que bem ficava com ela, onde eu me sentia assim. Onde uma história foi se construindo; e ainda está sendo escrita: eu e ela. Um pedido. Uma coisa que flui como essas palavras. Lábios que tocavam minha palma da mão. Um punho fechado com um beijo dela guardado. Foi essa a promessa. A mesma de um amor que já nos pertencia. Era preciso guardar e levar comigo, eu e o beijo dela. Ela ficaria para dormir até sonhar, e eu seguiria pelo meu caminho de sempre, porem com mão sobre o coração. Capaz de enfrentar, tudo, todos, sem abrir mão nenhuma e por nada, até chegar a meu destino. Missão definida que seria cumprida. Comprida até chegar o ponto de partida, enquanto estendia meus passos, desdobrava esquinas, trocava calçadas e atravessava ruas sob a observação da lua. Pois eu ainda havia de chegar bem, são, salvo, como todas as vezes mas dessa vez levando algo bem maior, que apesar de estar por trás de meus dedos fechados, era tão grande quanto o ar, que está em todo lado e cabe em qualquer lugar. Pouco faltava, e parecia que muito caminhava por tantos sentimentos que eu pensava. Foi um trajeto que poderia ser feito até o infinito, mas como todo fim alcancei a chegada. Subi as escadas e cruzei a porta de entrada. Minha mão direita se abriu. Sem força alguma, soltou o beijo dela junto ao seu amor que pairou sobre meu chão, meu corpo e meu canto. E comum como sempre é, esteve no ar. Mas agora mais do que nunca está aqui comigo, até hoje, pois eu ainda posso respirar.

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

O lápis de duas pontas

O lápis de duas pontas é nossa vontade.

São duas pontas que nunca apontam para o mesmo lado juntas. Enquanto uma está sendo usada a outra te aponta. A ponta que se volta pra cima somos nós e sem sabermos estamos ligados a outra ponta que é nosso anseio.

Nossa vontade em determinado momento está sendo usada, cumprindo sua função e escrevendo em nossos dias aquilo que queremos. Mas esta mesma ponta se consome conforme a força e os rabiscos que são realizados. E ao se desgastarem o que fazemos? Buscamos outras vontades. Desta vez aquela que estava em seu oposto, esperando para obter seu papel. Enquanto isto a outra ponta já gasta, permanece inutilizada até que usamos o novo lado do lápis, ou então quando apontamos a velha ponta. E assim permanece; nós e nossas vontades. Sem notar elas estão opostas e se revezando. Elas nunca se encontrarão ou riscarão os mesmos traços ao mesmo tempo.
Confuso ou difícil, isto não desaponta: Nós temos vontades sempre contrárias, a não ser que não exista mais o lápis ou até mesmo as duas pontas.