domingo, 5 de abril de 2009

Nascimente

É noite.

Parece tão incômodo o som que o lápis faz sobre o papel. Mas ao mesmo tempo é tão confortante ver quando dele fluem as mais diversas palavras formando, por exemplo, esta frase. Frase esta, que antes de iniciada foi rabiscada pelo menos quatro vezes até que as primeiras letras nascessem. E é justamente esse som que resulta da escrita que me inspira. É como se fosse o canal que liga a sopa de idéias em minha mente e transcorre para a folha. Meu ritmo aumenta conforme penso mais lentamente, e se penso rápido demais escrevo devagar enquanto meu pensamento termina de se desenrolar. Muitas vezes é o que não acontece, aí, estou sujeito a mais uma vez rabiscar frases indesejáveis.

Sabe, ao longo de minha vida eu nunca fui muito um usuário de rascunhos. Preferi sempre escrever conforme minha expressão mandava, pois assim como um artista pinta um quadro, não há uma pincelada que possa ser voltada atrás. Mas aí eu aprendi que minhas obras, que não são nada pura arte, deviam sim, ser riscadas, moldadas, revisadas e reavaliadas. Isso tudo me permitia ter o trabalho final de possuir aquilo que eu queria ler. Por exemplo, agora mais uma folha acabou, mas meus dedos parecem fixados ao lápis com ânsia de preencher o resto do papel.

Mas sem problemas, eu respeito a vontade deles e aqui já estou perto de terminar. Descansar minha cabeça para amanhã reler tudo que foi regurgitado por hoje e finalizar escrevendo tudo isto em outro meio. Desta vez também utilizando a mão esquerda.

E aqui está: pronto como eu nem imaginei, porém da forma que eu bem queria.

A ponta do lápis quase se acabando e ainda faltam algumas linhas. Mas deixe estar. Meu alarme já está tocando.

É dia.