...chuvoso.
Saí para comprar parte do presente que eu mesmo montaria para o meu amigo oculto. Desci em meio ao centro. Estava tudo bastante cheio, como toda véspera de Natal, onde quase todas as pessoas resolvem fazer compras dos presentes de última hora. Estive então pensando: Se é 'presente' porque não o fazer agora? Mas acaba se tornando comum deixar o presente para o futuro.
Assim, continuei andando em torno de rostos e gotas até que parei na esquina. Resolvi parar pra pensar. Senti as pessoas ainda circulando ao meu redor, à minha frente e atrás como um corpo estático dentro de um rio, que percorre livre o curso da correnteza, que neste caso não seguia apenas em um sentido (indo e vindo).
Após frações de um minuto, congelado, quando retomei minha visão sobre as coisas à minha frente percebi uma pessoa que me olhava e certamente havia me reparado durante este tempo. Talvez este mesmo olhar fora responsável por interceptar meu pensamento. Só me dei conta disso depois que desviei o rosto, me curvei e continuei a andar, tomando os respingos do teto das lojas, que caiam sobre mim com mais força do que os chuviscos que caiam na própria calçada.
Não era mais um dia.
Estava chuvoso e eu me sentia bem.