Já era inverno. Havia dois corpos que mais se pareciam sombras, ofuscadas pela enorme atmosfera que os envolviam onde o próprio sol não podia atravessar a neblina em torno daquela montanha que se encontrava diante deles.
Estes corpos desejavam deixar de ser apenas sombras, chegando ao ponto mais alto que pudessem da montanha. Prometeram para si então, não se seguirem, sendo que cada um devia percorrer seu próprio caminho. Isolados em torno da montanha cada sombra tentava enxergar seu pico, mas não podiam avistar seu fim. Fim este no qual eles tinham o propósito de chegar. Uma das sombras tentou observar o que havia do outro lado da montanha para poder analisar qual era a magnitude de seu objetivo. A segunda logo começou a agir; tomou providência, iniciativas, força e logo começou a subir para chegar ao seu destino. Ambas as sombras saberiam da dificuldade e que posteriormente enfrentariam problemas até a glória da chegada. Enquanto a primeira ainda estava a contornar a montanha em seu leve caminho, a segunda se esforçava para chegar ao topo o mais rápido possível. Foi então que ela caiu, subiu novamente, sem descansar, subia até além de seu alcance e desequilibrava-se.
A primeira vagarosamente subiu, escalou passo a passo em seu limite e dentro de sua capacidade chegou a um ponto que quando se deu conta pôde observar a outra sombra lá embaixo; foi então que ela percebeu que havia chegado ao topo. Por fim percebeu mais do que isto. Refletira que o valor não estava em seu destino, mas em sua própria caminhada. Sentiu-se completo, sentiu o vento e sentiu-se ainda assim feliz, pois viu que até mesmo o topo nunca é o extremo. Há sempre um céu acima de nós.