terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Estado Terminal

O lugar era o terminal; local de chegada e partida de uma linha de transporte, onde circulam pessoas em terminal; estado relativo ao termo extremidade.
Pessoas ao extremo, pressa ao extremo, alienação e miséria ao extremo.
Somente uma coisa ali para mim não estava ao extremo, que eram acontecimentos marcantes. Mas isso se desfez num momento, se é que existe algo além do extremo, esse algo estava lá.
Eu pude ouvir a desordem além dos berros, que se concentrava em meus ouvidos. A visão é o sentido que mais nos prende, e foi com ela que me prendi naquele instante.
Assim como a de todas as pessoas em volta que se aproximavam. O que se passava era uma mulher e gritos de criança. A mulher agarrada por um homem se debatia com fúria atrás da menina, logo percebida, uma deficiente mental. A quem se refere a doença? Bom depende. Aparentemente seria a menina que todos viram sair correndo com um choro trancado no peito. A mulher (dizia-se mãe dela) batia na criança em pleno público e sabe lá quais seriam os motivos. O fato é que, a deficiente realmente era a mulher, esta sim, possuia a pior doença que existe, a que está dentro de nós. Ela como se tivesse a razão, dizia ao homem "Me solta, você está me machucando". Chega a soar engraçado porque era isso que ela fazia com sua própria filha. Machucando mais do que isso, porque aquele tipo de machucado dói, cicatriza e passa, mas o que dói mais, afeta dentro de nós e se torna incurável. O resto das pessoas olhavam com olhos vidrados a cena que parecia irreal. Não sei se há sentimento de pena. Comigo foi algo que vi, senti, mas não posso descrever. Já é certo que o ser humano é imperfeito, todos sabemos disso, mas não é valido agir com essa condição em qualquer contexto. Pode ser impossível viver no 'certo', mas não é digno no errado viver. As pessoas assim se dispersam, meu ônibus chega à estação. Enfim todos voltam ao seu 'eu' como alguém acordado que volta ao seu sono pesado.
A vida continua... para cada um. Não há ponderação.
A vida continuará a mesma.