terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Intocável

Já era inverno. Havia dois corpos que mais se pareciam sombras, ofuscadas pela enorme atmosfera que os envolviam onde o próprio sol não podia atravessar a neblina em torno daquela montanha que se encontrava diante deles.

Estes corpos desejavam deixar de ser apenas sombras, chegando ao ponto mais alto que pudessem da montanha. Prometeram para si então, não se seguirem, sendo que cada um devia percorrer seu próprio caminho. Isolados em torno da montanha cada sombra tentava enxergar seu pico, mas não podiam avistar seu fim. Fim este no qual eles tinham o propósito de chegar. Uma das sombras tentou observar o que havia do outro lado da montanha para poder analisar qual era a magnitude de seu objetivo. A segunda logo começou a agir; tomou providência, iniciativas, força e logo começou a subir para chegar ao seu destino. Ambas as sombras saberiam da dificuldade e que posteriormente enfrentariam problemas até a glória da chegada. Enquanto a primeira ainda estava a contornar a montanha em seu leve caminho, a segunda se esforçava para chegar ao topo o mais rápido possível. Foi então que ela caiu, subiu novamente, sem descansar, subia até além de seu alcance e desequilibrava-se.

A primeira vagarosamente subiu, escalou passo a passo em seu limite e dentro de sua capacidade chegou a um ponto que quando se deu conta pôde observar a outra sombra lá embaixo; foi então que ela percebeu que havia chegado ao topo. Por fim percebeu mais do que isto. Refletira que o valor não estava em seu destino, mas em sua própria caminhada. Sentiu-se completo, sentiu o vento e sentiu-se ainda assim feliz, pois viu que até mesmo o topo nunca é o extremo. Há sempre um céu acima de nós.

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Mais um dia

...chuvoso.

Saí para comprar parte do presente que eu mesmo montaria para o meu amigo oculto. Desci em meio ao centro. Estava tudo bastante cheio, como toda véspera de Natal, onde quase todas as pessoas resolvem fazer compras dos presentes de última hora. Estive então pensando: Se é 'presente' porque não o fazer agora? Mas acaba se tornando comum deixar o presente para o futuro.

Assim, continuei andando em torno de rostos e gotas até que parei na esquina. Resolvi parar pra pensar. Senti as pessoas ainda circulando ao meu redor, à minha frente e atrás como um corpo estático dentro de um rio, que percorre livre o curso da correnteza, que neste caso não seguia apenas em um sentido (indo e vindo).

Após frações de um minuto, congelado, quando retomei minha visão sobre as coisas à minha frente percebi uma pessoa que me olhava e certamente havia me reparado durante este tempo. Talvez este mesmo olhar fora responsável por interceptar meu pensamento. Só me dei conta disso depois que desviei o rosto, me curvei e continuei a andar, tomando os respingos do teto das lojas, que caiam sobre mim com mais força do que os chuviscos que caiam na própria calçada.

Não era mais um dia.
Estava chuvoso e eu me sentia bem.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Uma imagem do copo para o escopo

A queda: livre?

Passa-se o tempo, e todos se afogam em sua própria sede.
"Afinal, o grande mal está em achar que estamos sujeitos a tudo que nos prejudica?"
Portanto aqui vai uma mensagem dirigida àqueles que se nomeiam jovens: As coisas acontecem.
Sim, voce não é o centro e não servirá de defesa pensar: "Ah, isso nunca acontecerá comigo!"
Há doenças (com causas e sem),
há violência (com circunstâncias ou sem)
e há tudo ao nosso redor (com sua presença ou sem).

Estamos todos no mesmo copo.
E o que fazer?
Bom, por enquanto ainda estamos todos caindo...

Escopo


Vê-se um copo meio cheio, ou um copo meio vazio?

Estar otimista, esperançoso e ansioso é tão bom agora,
quanto ruim depois do provável.
É bom não esperar muito nem pouco, mas apenas aguardar. Dar tempo sem cobrança. Pois muita expectativa decepciona. Mas acreditar em algo no início de cada dia, é tao importante quanto estar grato ao final de cada noite.
Subir um degrau por vez, a gente se posiciona e a vida nos proporciona.
Assim pode ser feito, e serve para você.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

"Nenhum homem é tão inteligente quanto humano"

Poderei editar este título depois.
Talvez trocar este "Nenhum homem" por "Ninguém".

Mais ou menos

assim...

Estado Terminal

O lugar era o terminal; local de chegada e partida de uma linha de transporte, onde circulam pessoas em terminal; estado relativo ao termo extremidade.
Pessoas ao extremo, pressa ao extremo, alienação e miséria ao extremo.
Somente uma coisa ali para mim não estava ao extremo, que eram acontecimentos marcantes. Mas isso se desfez num momento, se é que existe algo além do extremo, esse algo estava lá.
Eu pude ouvir a desordem além dos berros, que se concentrava em meus ouvidos. A visão é o sentido que mais nos prende, e foi com ela que me prendi naquele instante.
Assim como a de todas as pessoas em volta que se aproximavam. O que se passava era uma mulher e gritos de criança. A mulher agarrada por um homem se debatia com fúria atrás da menina, logo percebida, uma deficiente mental. A quem se refere a doença? Bom depende. Aparentemente seria a menina que todos viram sair correndo com um choro trancado no peito. A mulher (dizia-se mãe dela) batia na criança em pleno público e sabe lá quais seriam os motivos. O fato é que, a deficiente realmente era a mulher, esta sim, possuia a pior doença que existe, a que está dentro de nós. Ela como se tivesse a razão, dizia ao homem "Me solta, você está me machucando". Chega a soar engraçado porque era isso que ela fazia com sua própria filha. Machucando mais do que isso, porque aquele tipo de machucado dói, cicatriza e passa, mas o que dói mais, afeta dentro de nós e se torna incurável. O resto das pessoas olhavam com olhos vidrados a cena que parecia irreal. Não sei se há sentimento de pena. Comigo foi algo que vi, senti, mas não posso descrever. Já é certo que o ser humano é imperfeito, todos sabemos disso, mas não é valido agir com essa condição em qualquer contexto. Pode ser impossível viver no 'certo', mas não é digno no errado viver. As pessoas assim se dispersam, meu ônibus chega à estação. Enfim todos voltam ao seu 'eu' como alguém acordado que volta ao seu sono pesado.
A vida continua... para cada um. Não há ponderação.
A vida continuará a mesma.

domingo, 30 de novembro de 2008

Daqui para ninguém


Olha só, já quase ia me esquecendo

Mas, esquecendo do que?

Não sei, mas continuo escrevendo.

Escrevendo pra alguém

Que agora me lê,

Não sei pra quem

Mas pode ser você.

Pode até perguntar,

Se "você" é qualquer um,
Mas se for reparar
Não somos nenhum.

Somos apenas letras,

Umas e outras unidas,

Diante de seus olhos

Perfeitamente transmitidas.



quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Incrível ou Incrédulo

"Com alguma frequência, estamos próximos
de coisas magníficas a qual
não temos
noção ou
oportunidade de notar."

terça-feira, 25 de novembro de 2008

Usados não utilizados

De repente me vi fazendo o caminho inverso.
Tinha um destino, mas resolvi voltar.
Voltar àquele lugar, com velhos livros onde eu havia uma vez comprado dois dos meus. Dois deles no qual um eu li e o outro apenas foliei.
Resolvi então voltar para fazer de novo como daquela outra vez. Andei pela calçada e cruzei com pessoas conhecidas como “comuns”. Cheguei até o local. Não sei se pude observar ou não acreditar, parei em meio à livraria que agora não mais possuía os mesmos velhos livros, as mesmas estantes ou o mesmo ar. Mas somente a placa ainda em cima se mantinha. Livros ali ainda existiam, mas eram livros novos e religiosos. Pude crer que o antigo negócio havia sido substituído pelo novo testamento. E que seja bom para o rapaz que se encontrava ali atrás do balcão que me viu andar, parar e dar meia volta sem entrar. Nada contra o atual lugar, mas tive a sensação de que tudo aquilo que tinha ali estava de certa forma “aposentado”. Na volta desta mesma calçada, comecei então a notar os demais comércios. Passei por lugares onde não se vendia livros usados, mas sim produtos falsificados. Mas que produtos são esses? Ah, Esses sim são produtos que vendem bem mais do que as páginas abandonadas da antiga livraria. Pois por mais que sejam tênis ou roupas de baixa qualidade não possuem cheiro de mofo (imagino eu). Mas não me assusta. Apenas me preocupo em analisar de que o bem durável com benefício central para muitos vale muito mais do que qualquer objeto que trabalha a mente e instiga o conhecimento. Aliás, se a livraria de usados tivesse importância, talvez não houvesse lugar para o livre comércio que pulveriza o centro urbano com homens gritando seus baixos preços. Bom, e o que eu tiro disso? Talvez a experiência de ter entrado lá pela última vez. É válido pensar que quando queremos voltar nem tudo está no mesmo lugar. E pensar que, enquanto ando, continuo observando.

em fim, se fez.